domingo, 6 de março de 2016

O VALE TUDO da fé


SINCRETISMO + NEOJUDAIMO + MAGIA INSTITUCIONALIZADA

A terceira onda do pentecostalismo brasileira também conhecida como neopentecostalismo, cujo um dos seus maiores expoentes no Brasil é a multinacional Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), tem lançado mão, em seus cultos, de recursos nada ortodoxos para a pregação da palavra de Deus. Com uma mistura de ressignificações teológicas, simbologias, rejudaização do cristianismo e uma evidente volta ao sacerdotalismo a IURD tem pregado alguma coisa parecida com o cristianismo, mas sem dúvida, longe, mais muito longe da santa doutrina. Além do fato que, as práticas marqueteiras “macedianas” serem dignas de inveja aos mais renomados donos de agencia de propaganda do país. Todavia, precisamos reconhecer que, com seu sucesso financeiro, ela também influi em outras denominações neopentecostais, e o principal motivo é a insipiência bíblica. O que é muito preocupante.

Recentemente, Paulo Ribeiro[i] escreveu na revista da USP, cujo título era “ IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS: A MAGIA INSTITUCIONALIZADA; CORRENTES DE ORAÇÃO, OBJETOS BENZIDOS, PRÁTICAS SINCRÉTICAS”
Repetitivo, o discurso pregado diariamente pela Universal lida com os mesmos problemas, fornece sempre o mesmo diagnóstico de suas causas e apresenta as mesmas soluções. Para tornar o culto atraente, não enfadonho, algo precisa variar. Variam as formas e a nomenclatura dos rituais ou “correntes” (corrente de Jó, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do amor, do cheque da abundância, das 91 portas...), assim como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro exigido para o fiel habilitar-se a receber bênçãos. Seu repertório simbólico, além de inusitado nos meios pentecostais que, como o protestantismo reformado, sempre foram avessos ao uso de objetos sagrados (tirante a Bíblia) para não sucumbirem à idolatria, parece ser inesgotável. Indiferente às críticas de outras igrejas evangélicas, a Universal frequentemente distribui aos fiéis objetos benzidos portando poderes mágicos, miraculosos. Essa prática, segundo Macedo, visa despertar a fé das pessoas. Depois de consagrados e anunciados como imbuídos de poder divino para resolver problemas de toda espécie, eles são distribuídos em rituais criativos, tendo por referência qualquer passagem ou personagens bíblicos. Não encerram caráter meramente simbólico. Os fiéis só se submetem a pagar as ofertas estipuladas para obter tais objetos (rosa, azeite, perfume do amor, saquinho de sal, sal grosso, galho de arruda, aliança, lenço, água do rio Jordão, xerox de cédula de dinheiro benzida, areia de praia do mar da Galiléia, óleo do Monte das Oliveiras, espada de plástico, cruz, chave, sabonete...) porque crêem piamente que eles estejam dotados de qualidades sacrais, poderes terapêuticos e sobrenaturais. Para surtir efeito, porém, os fiéis devem participar das correntes de oração durante determinado período, em geral, sete ou nove dias e, em certos casos, até algumas semanas. A quebra da corrente, ou ausência de algum dos cultos, acarreta o não-recebimento da bênção. Quanto aos objetos distribuídos nestas correntes, da mesma forma que na umbanda, por exemplo, os pastores recomendam que eles sejam ora colocados na comida, ora jogados num rio, ora passados no corpo, ora guardados na carteira, carregados pelo fiel e daí por diante. Além disso, documentos, alimentos, peças de vestuário, fotografias são benzidos cotidianamente nos cultos. Tendo em vista o caráter rotineiro de tais práticas, causa estranheza que um bispo da Universal tenha, em dois programas da rede Record, desferido socos e chutes numa imagem da padroeira do Brasil, protagonizando o maior incidente religioso na história recente do país, para combater a idolatria católica. Pois as práticas da Universal mencionadas encerram crença idêntica à contida no ato de cultuar) imagens de santos (negada pela cúpula da CNBB, mas efetuada largamente pelos católicos): a crença de que Deus age através de objetos a Ele consagrados por seus intermediários terrenos. Se é assim, por que o bispo da Universal ironizou a desfuncionalidade e impotência da imagem da santa católica? Ele o fez porque defende a exclusividade de sua igreja na intermediação do poder divino e, por consequência, na dotação de poderes sobrenaturais a objetos. A desqualificação da concorrência, nesse caso, teve menos a ver com estreiteza dogmática do que com ação estratégica na disputa pelo mercado religioso. A Universal não mede esforços para tirar proveito evangelístico da mentalidade e do simbolismo religiosos brasileiros. Apela deliberadamente para o sincretismo. Para tanto, distribui objetos benzidos, retira “encostos”, desfaz “mau-olhado” e realiza diversos rituais que, ao menos pelo nome, evocam os das religiões inimigas. Efetua rituais de “fechamento do corpo”, rito típico dos cultos afro-brasileiros, visando a proteção espiritual do fiel. Com sua peculiar “corrente da mesa branca”, alude igualmente ao kardecismo. No dia de Cosme e Damião oferece “balas ungidas” para as crianças, concorrendo com a prática umbandista de distribuição de doces aos erês. Noutra referência à umbanda, a Universal, vez ou outra, mas sempre às sextas-feiras, promove ritual de descarrego, no qual o fiel é aspergido com galhos de arruda, molhados em bacias com água benta e sal, para que manifeste demônios e deles seja liberto. Às vezes o fiel a leva para captar os males presentes em sua casa e nos moradores. Transferidos os males para a arruda, ela é levada de volta à igreja para ser queimada. O pastor e deputado federal Paulo De Velasco (PSD/SP) justifica o uso da arruda pela Universal como estratégia para “utilizar o que está arraigado no subconsciente coletivo brasileiro” ou “trabalhar em cima” do que as pessoas acreditam. Especialistas em marketing não fariam melhor.   

Tais práticas “macedianas”, desconhecidas até então pelos protestantes, e sem sombra de dúvida idolatras em nada tem contribuído para a pregação sadia da palavra de Deus.

Marta Francisca Topel[ii], Revista Brasileira de História das Religiões. ANPUH, Ano IV, n. 10, escreve:
“No que diz respeito às igrejas neopentecostais, é cada vez mais comum a apropriação de símbolos, rituais e trechos da liturgia judaica. Entre eles têm destaque a estrela de David (na bandeira do Estado de Israel ou simplesmente como um ornamento dentro das igrejas), a menorá (candelabro de sete braços), o shofar (chifre de carneiro cujo som tem lugar destacado nas comemorações do Ano Novo Judaico e no Dia da Expiação), o talit (acessório em forma de xale usado pelos judeus ortodoxos), réplicas da Arca da Aliança e passagens escritas em hebraico, tanto nos livros litúrgicos como nas paredes dos prédios dessas igrejas. Em algumas denominações evangélicas é comum que se celebre a Páscoa Judaica e a Festa dos Tabernáculos e a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) organizou em 2007 uma campanha nacional de venda de mezuzot (pequeno rolo de pergaminho, que contém trechos sagrados da Torá, protegido por uma caixinha e pregado nos umbrais das portas de lares e estabelecimentos judaicos). Finalmente, quase todas as igrejas evangélicas organizam viagens a Israel nas quais seus membros e simpatizantes visitam, além dos lugares santos cristãos, os lugares sagrados do judaísmo, como o Monte Sião e o Muro das Lamentações. Paralelamente, apesar de serem menos multitudinárias que as igrejas neopentecostais, as igrejas messiânicas têm se multiplicado nos últimos anos, alcançando uma visibilidade cada vez maior. Sua arquitetura particular, a que se somam os nomes escritos em hebraico na entrada dos templos, como Beit Tsar Israel, Beit Tehsuvá, Ar Tzion e Am Israel, faz com que essas igrejas sejam facilmente confundidas com sinagogas, tanto por judeus como por não-judeus. ”

E isso aos olhos do leigo, parece não haver nenhum tipo de problema, mais há. Se tais pastores ou dirigentes se preocupassem mais em pregar a palavra de Deus e conhece-la, tais absurdos nem passariam perto de nossos templos. Todavia o desconhecimento, e a reengenharia de alguns, aliada ao modismo, tem contaminado nossos púlpitos e tem transformado a liturgia cristã em verdadeiros ”vale tudo”.
Tanto o Catolicismo Romano como o evangelho pregado pela IURD entendem que as bênçãos de Deus não são frutos de sua maravilhosa graça, mais sim, consequência direta de uma relação baseada na troca ou no toma-lá-dá-cá. Neste contexto, tudo é feito em nome de Deus e para se conseguir a benção é absolutamente necessário pagar e pagar alto! Nesta perspectiva tudo se vende, desde o sal grosso até pequenos frascos contendo água do Rio Jordão. Por favor, responda sinceramente: Qual a diferença da oferta extorquida do povo sofrido nos dias atuais para venda das indulgências da idade média? Qual a diferença dos utensílios vendidos no século XVI, para os que comercializados em nos templos da IURD?
Leitor precisamos ter em mente que o sacerdotalismo judaico acabou, a antiga aliança acabou, a tentativa de rejudaização do cristianismo acabou, a recatolização medieval das indulgência acabou, esta foi rejeitada ainda na igreja primitiva, e que são vários os textos  neotestamentários, que afirmam isto, todavia, não cabe a este artigo abranger a todos.
Mas cabe lembrar, o contexto do livro de Hebreus para saber o que está sendo tratado, o autor é desconhecido, e as maiores pendencias da história da igreja são: para que os pregadores cristãos da época fizessem uma advertência a cristãos que eram judeus e agora devido a perseguição sofrida dos romanos pela igreja queriam voltar a ser judeus.
O autor escreve para dizer que o judaísmo acabou que não há nada lá para traz, que a antiga dispensação acabou.
O livro tem uma tese, a tese é esta a superioridade de Cristo, Cristo é superior aos anjos, é superior a Moisés, é superior a Arão, é superior aos sacerdotes, é superior a Levi, tudo em Jesus é superior.
A Igreja não é a continuação do antigo Israel, a Igreja cristã é a maior instituição de Deus sobre a terra, é a noiva de Cristo, e precisa ser tratada como tal.
Fiquemos com o que o Apóstolo Paulo nos ensinou , em 1Co 1.23: “nós, porém, pregamos a Cristo crucificado
                                                                                                                     







[i][i] R E V I S T A U S P, S Ã O P A U L O ( 31 ) : 1 2 0 - 1 3 1 , S E T E M B R O / N O V E M B R O 1 9 9 6   artigo de R I C A R D O  M A R I A N O  IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS: A MAGIA INSTITUCIONALIZADA

[ii] Revista Brasileira de História das Religiões. ANPUH, Ano IV, n. 10, Maio 2011 - ISSN 1983-2850

Um comentário:

  1. Sempre que posso acompanho os Editos do reverendo Waldemar e sei da seriedade que ele apresenta em suas matérias. Mais uma vez uma assunto que deveria ser alvo de movimento cristão para uma reforma em nossa sociedade cristã fica dilacerado com muita gente que se cala e não faz absolutamente nada.
    Creio que a IURD e outras são responsáveis por uma impregnação doutrinaria de erros fatais a fé de qualquer pessoa e que a matéria acima nos faz ver com olhos mais abertos o que acontece, e sim poder tirar conclusões verdadeiras baseada em verdades.

    Parabéns ao Pr Waldemar por esta e outras matérias tão importantes ao cristianismo.

    Renato dos Santos

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