A
LEITURA BÍBLICA A PARTIR DE UMA NOVA PERSPECTIVA,
UMA PERSPECTIVA ARQUEOLÓGICA.
Nos últimos anos a
arqueologia tem tido um papel determinante no estudo da Bíblia, ou melhor, no
estudo da história e pré-história de Israel.
No passado a
arqueologia nas terras da Bíblia era feita com uma mão na picareta e outra na
Bíblia, ou seja, os arqueólogos entravam nos sítios buscando aquilo que estava
escrito na Bíblia e obviamente com uma opinião já formada. Como os resultados
foram insatisfatórios, nas últimas duas décadas se fechou a Bíblia e se fez
arqueologia. Nessa mudança de conceito os
pesquisadores resolveram escavar os sítios arqueológicos (Telin em hebraico),
sem a necessidade de provar nada e depois comparar os resultados com a Bíblia
se bater ótimo, caso contrário o problema seria dos biblistas e exegetas.
Com isso nasceu uma
grande reviravolta na pré-história e na história de Israel.
Portanto, a arqueologia não substitui o
texto, mas o auxilia. E, assim, deve ser. É comum, nos últimos anos, estudiosos do mundo
bíblico afirmarem que as recentes descobertas arqueológicas contradizem o texto
bíblico, porque apresentam outras verdades. Isso não é correto. A Bíblia vê e
narra a realidade com a preocupação de mostrar a ação de Deus na história,
coisa que a arqueologia não tem como escavar. Sua função é de fazer a leitura
preliminar da sociedade, da maneira mais neutra possível.
A partir daí, os exegetas devem adentrar
ao texto bíblico. O que não se pode fazer, para uma boa exegese, é cometer o
disparate de ignorar as descobertas arqueológicas. (Milton Schwantes).
Uma das novidades da descoberta
arqueológica está em 1 Rs 13:1-2
“E eis que, por ordem do SENHOR, veio, de Judá a Betel,
um homem de Deus; e Jeroboão estava junto ao altar, para queimar incenso.
E ele clamou contra o altar por ordem do Senhor, e disse: Altar, altar! Assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimam incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti.”
E ele clamou contra o altar por ordem do Senhor, e disse: Altar, altar! Assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimam incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti.”
Essa é uma profecia incomparável, porque o “homem de Deus”
revelou o nome do rei de Judá que três séculos depois ordenaria a destruição
daquele mesmo santuário, matando todos os seus sacerdotes e profanando o altar
com os seus restos. É algo como ler a história da escravidão na America
colonial do século XVIII na qual houvesse uma passagem predizendo o nascimento
de Martin Luther King. E isso não é tudo; Jeroboão ficou profundamente abalado
com essa profecia, e pouco depois seu filho Abias caiu doente. Logo depois, a
mulher de Jeroboão foi ao antigo lugar de culto em Silo, para falar com o
profeta Aías, o mesmo que tinha previsto que Jeroboão reinaria sobre todas as
tribos do norte. Aías não teve palavras para consolar a mãe preocupada. Em vez
disso, ele fez uma quarta profecia, uma das mais arrepiantes da Bíblia: ver 1
Rs 14:7-16.
A precisão da primeira profecia do “homem de Deus” denuncia a
época em que foi escrita. O rei da casa de Davi, Josias, que conquistou e
destruiu o altar em Betel viveu no final do século VII a.C. Por que uma
história que tem lugar no século X a.C. precisa usar uma figura de um futuro
tão distante? Qual é a razão para descrever o que um rei justo e honrado
chamado Josias vai fazer? A resposta é a mesma que sugerimos, explicando por
que as histórias dos patriarcas, do Êxodo e da conquista de Canaã são repletas
de alusões ao século VII. O fato inevitável é que os livros dos Reis são tanto
um apaixonado argumento religioso – escrito no século VII a.C. – como são
também obras de história, diz Filkenstein.
Com isso queremos dizer que a arqueologia começa a mostrar
que os textos bíblicos assim como a grandeza de Judá começam acontecer a partir
do reinado de Josias. A idéia defendida pelos arqueólogos é a
de que a Bíblia – Genesis, Êxodo, Números, Levíticos, Deuteronômio, Josué, Juízes,
1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis - foi um produto da reforma religiosa feita pelo rei
Josias no século VII AC. Resultou de uma compilação de memórias, lendas, contos
e outras informações que circulavam na época. O núcleo histórico dessa obra,
realizada pelos rabinos israelenses, a mando do rei Josias.
Os
arqueólogos Finkelstein e Siberman sustentam que sua visão é proveniente das
recentes descobertas arqueológicas, que segundo eles, "revolucionaram o
estudo do Israel primitivo e lançaram sérias dúvidas sobre as bases históricas
das tão famosas histórias bíblicas como as peregrinações dos patriarcas, o
Êxodo do Egito, a conquista de Canaã e o glorioso império de Davi e Salomão.”
Assim, pretendem os autores contar "A história do antigo Israel e o
nascimento de suas escrituras sagradas a partir de uma nova perspectiva, uma
perspectiva arqueológica, separando a história da lenda”.
Explicam
que o seu trabalho resultou de uma comparação feita entre a narrativa bíblica e
os dados arqueológicos coletados nas últimas décadas. O resultado foi a
descoberta de uma relação complexa e fascinante entre o que realmente aconteceu
na Palestina durante o período bíblico e os acontecimentos narrados na Bíblia.
E com base nessas informações concluem que a maior parte do Pentateuco é uma
criação da monarquia judaica, elaborada em defesa da ideologia e necessidades
do reino de Judá. Daí a conclusão que a Bíblia foi resultado de uma compilação
feita a partir do tempo do rei Josias [640-609 a.C.], para oferecer uma legitimação
ideológica para ambições políticas e reformas religiosas específicas,
promovidas por aquele rei.
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